Artigo
A importância dos dados comportamentais no processo de design de produtos digitais
Escrito por:
Lucas Gomes
02/10/2024

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Você já se perguntou o que seriam dados comportamentais? Se sua resposta foi não, fique tranquilo pois é bem comum que muitos desconhecem, e também não entendem qual sua importância nos mais diversos contextos.
Mas hoje vamos entender sua intenção e aplicabilidade dentro do processo de design e como estes dados nos ajudam a conhecer melhor os usuários de produtos digitais, bem como a forma como interagem e se comportam diante dos mais diversos cenários.
O que são dados comportamentais e porque eles importam.
Dados comportamentais podem ser entendidos como medidas que visam a quantificar e mapear informações sobre o comportamento humano ao utilizar determinado produto ou exercer alguma atividade.
No contexto de produtos digitais a obtenção de dados ocorre verificando informações como perfil de usuários, dados demográficos, dados sobre tecnologia usada, além de todos os dados sobre a interação sobre a interface a fim de alcançar determinado objetivo.
A importância de se obter estas informações, está na busca de entender como o usuário se comporta, enxerga e se baseia para buscar ou tomar decisões dentro do produto, para que então baseado nisso possa gerar gatilhos de oportunidades ou melhorias que vão ser implementadas e que tendem a diminuir a fricção de uso, ou até mesmo detectar desafios que podem ser mitigados de alguma forma.
Imagine o seguinte cenário.
Você tem um produto SaaS, voltado a pequenas e médias empresas, com mais de 500 clientes e que tem como objetivo simplificar e otimizar o processo de venda de lojas de materiais de construção.
Todos os dias, seu suporte recebe feedback dos clientes sobre o processo de geração de orçamento, onde a principal reclamação é sobre o tempo para se montar um orçamento e externalizar ao cliente sobre os valores e possíveis condições de pagamento.
Neste ponto, você já identificou que algo precisa ser feito para solucionar o problema enfrentado pelos seus clientes. Então junto ao time de desenvolvimento, vocês bolam uma solução para reduzir as etapas e simplificar o processo.
E pasmem, as reclamações ainda estão acontecendo e agora vocês não fazem ideia de o que cortar para conseguir reverter a situação e melhorar a satisfação dos clientes.
Este cenário que foi ilustrado apesar de hipotético, representa a maior parte das condutas adotadas pelos times de tecnologia quando se deparam com um problema a ser resolvido. E com isso não vão se dando conta da quantidade de tempo e recursos que estão gastando tentando imaginar algo com base na percepção de cada um envolvido, e muitas vezes
falhando nos objetivos.
E o que dados comportamentais mudariam algo diferente neste cenário?
Imagine que agora ao invés de apenas reclamações você tivesse dados que te mostrassem o que está acontecendo na ponta.
Na sua operação diariamente encontramos um volume de 10 mil sessões e destas 2 mil usavam a funcionalidade de orçamento diariamente.
Neste novo cenário além do volume de acessos também conseguimos monitorar a quantidade de interações em cada elemento da página, através de mapas de calor, onde também nós mostrariam o comportamento dos usuários com base na quantidade de cliques, quantidade de scrolls e tempo de execução de cada atividade.
Além disso, conseguimos agora ver o comportamento dos usuários sem cortes, através das gravações em vídeos das sessões, e capturar cada instante e cada tomada de decisão desde que iniciou o processo de orçamento até a sua conclusão.
Com isso, a análise e suposição dos fatos começa a ficar bem mais clara e direcionada a mover esforços na direção correta, sem achismos, e baseada em evidências reais.
Podemos complementar usando dados qualitativos e ligá-los aos dados de comportamento para ter uma dimensão mais clara do que acontece em cada operação.
Como interpretar dados comportamentais e utilizá-los no processo de design.
Primeiro, para interpretar é preciso contar com apoio de ferramentas que auxiliam no processo de captura destas informações, como por exemplo, Google analytics, Amplitude, Crazy Egg, Hotjar e Clarity.
São algumas ferramentas que depois de implementadas ao produto, conseguem gerar números e insumos para visualização dos dados.
Como exemplo para interpretação dos dados, vamos pegar o exemplo de mapa de calor.
O mapa de calor te mostra algumas informações como, número de cliques, movimentação do mouse, scroll, além de contar com zonas quentes e frias de maior e menor interação.
Destrinchando a quantidade de cliques, podemos observar onde está a maior concentração de cliques naquela tela e consequentemente interpretar os motivos daquele elemento estar atraindo a maior atenção dos usuários, seja pela sua forma, sua cor ou sua posição e localização na página.
Algumas perguntas devem ser feitas neste momento.
1. O elemento mais clicado está em conformidade com o propósito da página?
2. Qual o nível de esforço para chegar até a opção?
3. O que motiva os usuários a irem por aquele caminho?
4. Qual propriedade do elemento, seja cor, texto ou forma atrai a atenção que impacta na forma como o usuário se comporta?
Com base nestes dados e nestas perguntas, é possível disparar gatilhos para o processo de design que ajudam a entender se faz necessário algum ajuste ou se algo na jornada precisa ser alterada de modo que o produto vai evoluindo junto com o comportamento do usuário.
O processo de dados orientando decisões de design, é útil para mensurar impactos de cada decisão e como ela afeta positiva ou negativamente a experiência do usuário na utilização do produto.
É uma forma mais confiável e justificada de visualizar como está a maturidade do design e como ele pode somar na construção dos objetivos e atingimentos de metas.
Conclusão
Como vimos, é essencial para a manutenção e evolução dos produtos digitais que comecem e utilizem dados comportamentais no seu dia a dia para entender seu consumidor final.
Além de usar como balizador principal de tomadas de decisões baseadas em evidências reais e sem cunho especulativo.
Claro que uma boa dose de imaginação contribui para soluções cada vez mais disruptivas, desde que estes efeitos e impactos sejam medidos de alguma forma utilizando métricas.
Já para o processo de design é fundamental que decisões de design sejam tomadas orientada a dados para que a experiência de uso seja de fato mensurável e escalável no crescimento do produto como um todo.
Além disso, o futuro promete usar cada vez mais este gatilho para se destacar em frente a outros produtos do mercado.